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Discurso e pós(verdade)

Código: 343

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Com o “desencantamento” do mundo ocidental, a religião perde força na produção das verdades, cedendo lugar ao conhecimento científico. Desde então, as ciências não só as produziram cada vez mais, mas também incidiram progressivamente nas ações e decisões de outros setores das sociedades modernas e contemporâneas. O recrudescimento científico não impediu, contudo, o surgimento de graves refluxos: os terraplanismos e negacionismos de nossos dias são provas desse retrocesso.
Em sentido oposto, as relações entre discurso e verdade foram concebidas sob um prisma libertário e promoveram a dissolução de ortodoxias e autoridades de pesadas e passadas tradições. Domínios e instituições que antes nos guiavam, com suas verdades fundamentais e com uma quase cega fé que lhes depositávamos, tornaram-se cada vez mais suscetíveis às dúvidas e críticas. A religião e a ciência, a mídia e a política já não são mais consideradas como nascentes únicas das quais brotariam a certeza dos fatos e a indicação dos caminhos. Crenças e confianças de outrora passaram a ser ladeadas ou suplantadas por suspeitas e ceticismos, por críticas e emancipações.
Esse fenômeno não é igualmente experimentado por sujeitos de classes e grupos sociais distintos e inscritos em diferentes relações de poder, de sentido e de afetos. Além disso, a emergência da “pós-verdade” e a crescente difusão das fake news têm produzido efeitos bastante perversos. Recuos políticos, intolerâncias sociais, preconceitos de classe e de gênero e ideias e ações reacionárias ou populistas têm se consolidado com força e alcance assustadores, sobretudo mediante o uso disseminado das redes sociais. Os resultados desse processo já se mostram a olhos vistos: ataques a políticas afirmativas, a programas de combate às desigualdades sociais e a discussões sobre sexualidade, que deram ensejo à ascensão de tendências neofascistas de toda ordem e às conquistas eleitorais da extrema direita até recentemente inimagináveis na Europa, nos EUA e no Brasil.
Discurso e (pós)verdade é uma contribuição decisiva para a compreensão desses processos e fenômenos históricos e sociais constituídos por múltiplas e diversas relações entre o discurso e as verdades.

DETALHES:

Luzmara Curcino, Vanice Sargentini, Carlos Piovezani
Editora: Parábola Editorial
Edição: 1ª (Maio 2021)
Idioma: Português
Capa comum: 240 páginas
ISBN: 978-65-88519-34-9
Dimensões do produto: 16 x 23
Encadernação: Brochura

ORGANIZADORES:

Luzmara Curcino é professora associada do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos. Coordena o Laboratório de Estudos da Leitura (Lire/UFSCar). É autora de artigos e capítulos de livros publicados no Brasil e no exterior e organizadora, entre outras, das seguintes obras: Presenças de Foucault na análise do discurso (EdUFSCar, 2014), Leitura e escrita na educação básica (Cirkula, 2014) e (In)Subordinações contemporâneas: consensos e resistências nos discursos (EdUFSCar, 2016). É ainda tradutora de vários livros, entre os quais, Inscrever e apagar: cultura escrita e literatura (Editora UNESP, 2006) e O que é um autor? Revisão de uma genealogia (EdUFSCar, 2012), ambos de Roger Chartier. Foi professora visitante na Universidade de Buenos Aires (UBA) e na Universidade de Versalhes (UVSQY).

 

Vanice Sargentini é professora titular do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) e professora visitante na Universidade Federal da Paraíba (UFPB). É coordenadora do Laboratório de Estudos do Discurso (Labor/UFSCar) e autora de livros, capítulos e artigos publicados no Brasil e no exterior, entre os quais se destacam: Los Pueblos de la Democracia (La Bicicleta Ediciones, 2018), Mutações do Discurso Político no Brasil (Mercado de Letras, 2017), (In)Subordinações contemporâneas: consensos e resistências nos discursos (EdUFSCar, 2016), Presenças de Foucault na análise do discurso (EdUFSCar, 2014) e Legados de Michel Pêcheux (Contexto, 2011). Foi professora visitante na Universidade de Toulouse III/Paul Sabatier.

 

Carlos Piovezani é professor associado do Departamento de Letras e do Programa de Pós-Graduação em Linguística da Universidade Federal de São Carlos e pesquisador do CNPq. Coordena o Laboratório de Estudos do Discurso (Labor/UFSCar) e o Grupo de Estudos em Análise do Discurso e História das Ideias Linguísticas (Vox/UFSCar). É autor de A voz do povo: uma longa história de discriminações (Vozes, 2020), A linguagem fascista (Hedra, 2020) e Verbo, corpo e voz (Editora UNESP, 2009) e organizador das seguintes obras: Saussure, o texto e o discurso (Parábola, 2016), História da fala pública (Vozes, 2015), Presenças de Foucault na análise do discurso (EdUFSCar, 2014) e Legados de Michel Pêcheux (Contexto, 2011). Foi professor convidado da Escola de Altos Estudos em Ciências Sociais (EHESS/Paris) e professor visitante na Universidade de Buenos Aires (UBA).

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